quarta-feira, 6 de maio de 2009

Apple pode integrar 3G a MacBooks


SÃO PAULO – Uma vaga de emprego disponível no site da Apple leva a crer que a companhia vai integrar o suporte a redes 3G a seus MacBooks.
Na descrição de trabalho, a companhia procura um engenheiro que tem experiência em redes Wi-Fi, 3G, Ethernet e saiba integrá-las com notebooks.
Há um mês, a Apple publicou uma outra vaga procurando um especialista em câmeras digitais que possa trabalhar no projeto iPhone.
Na época, o anúncio gerou comentários de que a companhia vai melhorar a câmera de seu smartphone, atualmente com resolução de 2 megapixel, bem abaixo de concorrentes como os telefones da Nokia, por exemplo.
No caso dos MacBooks, uma placa integrada ao computador poderia funcionar como modem 3G. Restaria ao usuário apenas colocar o chip de sua operadora preferida para navegar na web usando redes móveis.

INFO Online

ADP vê sinais de recuperação do mercado

NOVA YORK - A Automatic Data Processing (ADP), maior empresa mundial de processamento de folha de pagamento, espera que as vendas de novos negócios melhorem no próximo ano fiscal, segundo seu CFO.
A ADP relatou que as vendas de novos negócios, um indicador-chave de receitas futuras, caíram em 10% no terceiro trimestre fiscal, mas a empresa também reiterou que seu objetivo ainda é de mais de 1 bilhão de dólares em vendas de novos negócios no ano fiscal de 2009, que termina no dia 30 de junho.
"Nós esperamos que o número não caia tanto no ano que vem, e que poderemos vender pelo menos o mesmo montante também no próximo ano," afirmou o diretor-financeiro da empresa, Chris Reidy.
"Estamos vendo muito mais atividade, mais conversas, mais informações, mas ainda não vemos uma aceleração na inclinação para fechar o acordo," acrescentou. "Isso eventualmente virá, e nós perceberemos isso."
A empresa relatou um lucro trimestral estável, prejudicada pela recessão e o dólar forte, o que reduziu receitas em outros países quando convertidas para o dólar.
Reidy também prevê que ventos contrários no câmbio --que levaram a uma queda de 3% nos receitas do último trimestre-- durem até setembro.
Ela acrescentou que a empresa espera "algum aumento de preços" no próximo ano fiscal, mas nada como a alta de 1,5% que promoveu no ano fiscal de 2009.
A ADP processa uma em cada seis folhas de pagamento em todo o mundo.

Reuters

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Este será o seu computador

O mundo da tecnologia está às portas de uma transformação profunda: a computação vai ser centralizada numa grande nuvem, acessível pela internet - e isso muda tudo
O empresário carioca Marcelo Marzola, de 32 anos, se considera bastante versado em computadores, mas isso não o exime de passar apertos tecnológicos. Nos últimos anos, ele já teve vários discos rígidos queimados, e cinco pen drives seus simplesmente pararam de funcionar. Um deles o deixou na mão há dois anos, diante de uma plateia de 200 universitários em São Paulo. O dispositivo que continha a apresentação que Marzola faria simplesmente apagou. Os primeiros instantes foram de pânico. Os seguintes, de alívio. "Eu tinha feito uma cópia em um disco virtual. Acessei o documento pela internet. Foi minha sorte", diz Marzola. O executivo não sabe exatamente onde estava sua apresentação, mas isso pouco importa. A única certeza é que o arquivo estava armazenado em algum servidor do Google pelo mundo - ou, como se diz hoje em dia no mundo da tecnologia, na nuvem.

A indústria da computação é conhecida por criar jargões de curta vida útil, mas também por sofrer transformações profundas. Tudo indica que a computação nas nuvens, que salvou Marzola de um vexame, representa muito mais do que simplesmente a expressão da vez. A ideia de que a computação vai acontecer cada vez mais remotamente, em grandes parques de servidores interligados pela internet, promete mudar para sempre a maneira de lidar com os computadores.

Os PCs que conhecemos hoje são apenas a mais recente encarnação de uma máquina que nunca parou de mudar. No início dos tempos, o computador ocupava uma sala inteira, custava uma pequena fortuna e era privilégio exclusivo de grandes companhias. Depois vieram os minicomputadores, rapidamente suplantados pelos computadores pessoais - hoje ameaçados pelos smartphones e pelos netbooks, dispositivos de recursos técnicos modestos, mas perfeitamente adequados para a conexão com a internet. Com o movimento em direção à computação nas nuvens, ou cloud computing, no termo em inglês, o computador vai tomar uma nova forma. Ou, mais precisamente, ele vai perder sua forma, se dissolver, se esvaziar - talvez até mesmo desaparecer. O poder de computação será cada vez mais centralizado, ubíquo e invisível. Com a banda larga espalhada pelas ondas do ar e aparelhos simples, muitas vezes dotados apenas de um navegador de internet, será possível acessar qualquer tipo de programa e qualquer tipo de arquivo, de qualquer lugar. Eles estarão rodando no éter, na nuvem. Os recursos de processamento e armazenamento, hoje representados por centenas de milhões de PCs em cima de mesas, vão migrar para enormes centrais de dados, ou data centers, como o que ilustra a página anterior (ao lado). E o mundo digital, mais uma vez, passará por uma profunda mudança. "Os dados seguirão os usuários, e não o contrário", diz Rishi Chandra, gerente sênior de produtos do Google Enterprise.

Como tudo o que diz respeito ao mundo digital, isso significa um negócio potencial enorme. Empresas como Google, Microsoft, IBM, Dell e até mesmo a insuspeita varejista Amazon estão se posicionando para a disputa de um mercado que movimentou 46,4 bilhões de dólares no ano passado e até 2013 deve passar dos 150 bilhões de dólares, segundo o instituto de pesquisas Gartner Group. Todas estão de olho em clientes como a Azul. Quem chega hoje ao check-in da mais nova companhia aérea brasileira nem imagina, mas as informações dos passageiros não estão armazenadas num PC atrás do balcão nem em um servidor no próprio aeroporto. Elas estão a centenas de quilômetros dali, num data center da Symantec, empresa especializada em segurança da informação que também está se aventurando na prestação de serviços na nuvem. Por ser uma empresa nova, que não tem de carregar consigo o peso de ondas tecnológicas do passado, a Azul optou pelo modelo mais extremo de computação na nuvem. Os PCs usados pelos funcionários que prestam atendimento ao público, em lojas ou nos balcões de check-in, são o que se convencionou chamar de terminais burros. Trata-se de máquinas extremamente simples, que acessam um servidor central e têm baixo poder de processamento. Isso representa uma economia de até 35% nos custos de hardware, sem contar a economia com a manutenção: os terminais não exigem atualizações individuais de software nem correm risco de infecção por vírus, apenas para mencionar duas vantagens.

Essa reviravolta no modelo tradicional de computação é comparada pelo jornalista americano Nicholas Carr com o advento das redes públicas de eletricidade. Durante um breve período da Revolução Industrial, as grandes companhias tinham de gerar sua própria energia elétrica, mesmo que essa não fosse sua atividade-fim. Graças a um conjunto de inovações no final do século 19, porém, tudo mudou de forma radical. Linhas de transmissão permitiram separar a geração e o uso da eletricidade. "O que aconteceu com a geração de energia há um século agora acontece com o processamento de informações", escreveu Carr em A Grande Mudança - Reconectando o Mundo, de Thomas Edison ao Google. "Sistemas privados, montados e operados individualmente por empresas, estão sendo suplantados por serviços fornecidos sobre uma rede comum. A computação está virando um serviço, e as equações econômicas que determinam a maneira como vivemos e trabalhamos estão sendo reescritas."

Do lado da infraestrutura, começam a surgir sinais inequívocos da mudança das pequenas centrais de computação privadas para as grandes estações de fornecimento global. Um dos motivos é o mau aproveitamento dos recursos. Estima-se que o típico data center de uma empresa tenha apenas 6% de sua capacidade utilizada, segundo um levantamento da consultoria McKinsey. Empresas como Microsoft e Google estão investindo centenas de milhões de dólares em inovações para levar níveis de eficiência industriais a um tipo de instalação que, em pequena escala, costuma ter doses iguais de planejamento e improviso. A Microsoft deve inaugurar neste ano, nos arredores de Chicago, um data center de 45 000 metros quadrados cujo custo é estimado em 500 milhões de dólares e que vai contar com 400 000 servidores. O Google, de seu lado, foi ainda mais longe. Em vez de usar geradores em seus data centers, a empresa decidiu embutir uma pequena bateria em cada um de seus servidores, projetados e montados pela própria empresa. Além de mais barata, a solução garantiu a elevação dos índices de eficiência energética de 95% para 99%. A varejista Amazon oferece sua estrutura de mais de 100 000 servidores num modelo de aluguel. Basta um cartão de crédito para reservar um espaço no sistema que mantém no ar a maior operação de comércio eletrônico do mundo. A demanda cresceu de repente? Basta aumentar a capacidade contratada. Ficou aquém do esperado? Basta reduzir o tamanho do servidor virtual. Tudo é cobrado por hora de uso, como na conta de luz.
A computação nas nuvens vai transformar a infraestrutura da internet, mas seu impacto não para por aí. Os efeitos na economia serão cada vez mais visíveis, com empresas surgindo na velocidade de um clique. A facilidade do aluguel dos servidores virtuais permite a criação de companhias que existem apenas na internet, como é o caso da brasileira SambaTech, distribuidora de conteúdos digitais. A empresa trafega o equivalente a quase 5 000 DVDs por mês na rede e não comprou nenhum dos cerca de 40 servidores de que precisaria. Seus sistemas rodam em equipamentos alugados nos Estados Unidos e que em menos de 1 minuto preparam os vídeos que serão enviados aos celulares e ao YouTube. "O que permite hoje nosso negócio é o amadurecimento da internet para entregar serviços. Há cerca de cinco anos nossa empresa certamente não existiria", diz Gustavo Caetano, CEO da SambaTech.

As empresas de software também se preparam para o que promete ser a maior transformação da indústria desde seu nascimento, no começo dos anos 80. Software sempre foi vendido como um produto. O cliente compra uma licença de uso, paga um preço fechado e é forçado a pagar por frequentes atualizações - e muitas vezes também pelo serviço especializado para fazer o software funcionar. Com o modelo centralizado, a lógica passa a ser a do aluguel: paga-se uma taxa mensal, e os programas são acessados pela internet, sem nenhum tipo de trabalho extra. O exemplo emblemático é a americana Salesforce.com, de sistemas de relacionamento com clientes. Criada há dez anos, a start-up que se gabava por representar o "fim do software" finalmente começa a enxergar a realização de sua profecia. Desde 2007, a Salesforce dobrou o faturamento, para quase 1 bilhão de dólares, e chegou a 1,5 milhão de usuários. Empresas pequenas e médias ainda são a maioria dos clientes da Salesforce, mas as grandes também já começam a olhar para a nuvem com interesse. As principais iniciativas ainda envolvem nuvens privadas, ou seja, o uso de redes restritas aos funcionários. Mas a General Electric, uma das maiores companhias do mundo, contratou um sistema de gestão da cadeia de suprimentos baseado na web para controlar seus 500 000 fornecedores, espalhados em mais de 100 países, uma babel que gera custos de 50 bilhões de dólares por ano. O andamento das negociações, os contratos, as certificações e outros dados essenciais podem ser acessados de qualquer lugar do mundo: basta um computador conectado à internet. A GE também estuda alternativas para seu correio eletrônico. Entre as opções está até a versão corporativa do Gmail. O serviço de e-mail do Google é oferecido gratuitamente na web (quem paga a conta são os anunciantes), mas existe também uma versão paga para empresas. "Estamos analisando requisitos de segurança e estrutura. Se ele oferecer tudo o que precisamos, por que não?", diz João Lencioni, diretor de tecnologia da GE para a América Latina.

Para muitas empresas, porém, a opção inicial será pela criação de nuvens fechadas, como a que o laboratório Fleury montou para armazenar as imagens de exames realizadas em todas as unidades espalhadas no país. Esse é o cenário mais provável porque, apesar das promessas, as nuvens públicas têm muito a amadurecer. Ainda há um longo caminho a trilhar no que diz respeito às responsabilidades contratuais - e eventualmente legais - que os fornecedores de serviços estarão dispostos a assumir. "Essa é uma condição fundamental para o sucesso da computação em nuvem", diz Reinaldo Roveri, analista da consultoria IDC. Redes mais seguras, capazes de trafegar informações importantes, também são um ponto essencial. Outra dúvida crítica é a criação de padrões de interoperabilidade. A tentação dos grandes fornecedores é criar sistemas fechados que na prática impeçam seus clientes de efetuar uma troca de fornecedor, dada a complexidade da tarefa e os riscos envolvidos. No início de abril, a IBM apresentou um manifesto em favor de padrões únicos, mas a iniciativa foi rejeitada por Microsoft e Amazon, duas empresas-chave na onda da computação em nuvem. "As relações precisarão ser obrigatoriamente mais transparentes", diz Laura DiDio, analista da consultoria Information Technology Intelligence. Mas todas essas dúvidas, cedo ou tarde, serão resolvidas, mesmo que o preço sejam mudanças importantes no jogo de forças da indústria da tecnologia. As nuvens estão se formando no céu - mas a previsão do tempo é animadora.

Revista EXAME

Prefeitura é invadida e ônibus, assaltado no feriado em Petrópolis

A prefeitura e o conselho de segurança de Petrópolis vão fazer uma reunião, nesta terça-feira, para discutir a violência na cidade. Moradores reclamam da insegurança, e nem os prédios públicos escapam. No fim de semana, a sede da prefeitura foi invadida por bandidos. E um assalto a ônibus deixou um ferido.

Era o último horário da linha de ônibus Bonfim-Correas em Petrópolis, eo motorista tinha parado no ponto da Rua Alexandre Alves Antunes para embarcar um passageiro. Foi quando dois homens armados entraram no veículo anunciando o assalto. Durante a ação, o cobrador Romário Ferreira de Oliveira, de 21 anos, foi baleado no rosto. Os bandidos levaram o dinheiro do caixa, desceram do ônibus e fugiram a pé. "Nós realmente estamos com medo, porque nós não temos segurança", lamenta uma senhora.

A vítima foi encaminhada para o centro de tratamento intensivo do hospital Santa Thereza e não corre ricos de morte. A família abalada não entende o porquê de tanta brutalidade. "Quando você vai imaginar que você vai sair para trabalhar e de reprente vai voltar baleado ou nem vai voltar?", critica Érica fortuna, namorada do cobrador baleado.

Na mesma noite, o palácio Fadel, sede da prefeitura, foi assaltado. Dois homens encapuzados e armados com uma pistola com um fuzil invadiram o local e levaram todo o dinheiro dos dois caixas eletrônicos que ficam dentro do prédio.

No momento do crime, apenas um guarda municipal fazia segurança do palácio. Ele foi rendido e ficou duas horas amarrado no armário. Apenas quando os assaltantes saíram é que ele conseguiu se soltar e chamar a polícia.

Nas ruas, a sensação é de insegurança. "A gente fica preocupado, com medo. A partir de certa hora, a gente não pode mais andar a vontade na rua", afirma a operadora de caixa Renata Cunha.


O novo comandante da Polícia Militar em Petrópolis, Paulo Mouzinho, informou que pretende planejar novas estratégias para combater o crime. A prefeitura abrur sindicância para apurar a invasão do prédio da prefeitura. Já a Guarda Municipal afirmou que, na noite do assalto, o guarda estava sozinho no Palácio Fadel, porque, excepcionalmente, o outro folgou para compensar horas extras.

http://rjtv.globo.com

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Telefone celular e relógio poderão ser usados para pagar contas

Feira em SP exibe tecnologia que permite que táxi vire 'caixa bancário'.
Chip colocado em aparelhos vira carteira eletrônica segura.
Quem gosta de tecnologia logo poderá usar o telefone celular ou o relógio de pulso como se fosse cartão de banco. Essas e outras novidades estão sendo exibidas em uma feira em São Paulo.

Um aparelho apresentado na feira permitirá, por exemplo, que quem estiver dentro de um táxi aproveite as horas paradas nos congestionamentos para pagar contas de luz e de água. Basta ter um cartão de banco ou um cheque.

“O aparelho faz a seleção da operação de pagamento. Basta passar o boleto para fazer a leitura do código de barras. É como se estivéssemos com um caixa de banco dentro do táxi”, explica Cristiano Porto.

Imagine agora usar o telefone celular para fazer o pagamento de contas, de ônibus, de pedágio, de supermercado, como se fosse um cartão de banco. Ou ainda entrar em estádios de futebol ou cinema sem precisar de ingresso, porque ele já vai estar registrado no celular, bastando apenas encostar o aparelho na catraca.

Hoje já há tecnologia disponível para isso. e os primeiros aparelhos habilitados com este tipo de serviço devem chegar ao mercado até o fim do ano. O segredo está num chip especial que fica dentro do celular.

O celular poderá fazer tudo o que um cartão de crédito ou débito faz hoje. Mas, para usar a tecnologia, o estabelecimento deve ter um terminal de leitura. E quem não tiver celular, poderá usar o relógio para pagar contas ou ainda fazer compras, desde que ele tenha o chip.

A tecnologia é segura, afirmam os especialistas: se o aparelho celular ou o relógio forem roubados, eles podem ser bloqueados como um cartão de crédito convencional.

G1,Jornal Nacional

terça-feira, 28 de abril de 2009

Os sete pecados capitais na elaboração de interfaces digitais

"Na prática, a teoria é outra... Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço..."

Já no tempo dos nossos bisavós, a sabedoria popular lançava mão de provérbios para expressar a imensa dificuldade que experimentamos quando tentamos pôr em prática uma teoria. Seria diferente no caso da inclusão digital? Na teoria, talvez nos pareça que sim; na prática, geralmente não. Construtores de softwares, home pages, computadores e terminais eletrônicos são seres humanos, como qualquer outro, com resistências e limitações, expostos a todo tipo de pressão, tudo isso interferindo diretamente no produto final do seu trabalho. A incorporação de um novo princípio ou padrão demanda - além de tempo e dinheiro - um esforço pessoal.
O objetivo deste trabalho é produzir um texto claro e agradável, que contribua para tornar mais estimulante e menos árida a assimilação da meta da Inclusão Digital, pelos construtores de software e equipamentos digitais.
Para chegar ao resultado desejado, procurei abstrair da experiência, quais eram as atitudes, conscientes ou não, que levavam os construtores a desenvolver produtos incompatíveis com o conceito de Inclusão Digital. Para cada atitude identificada, procurei situações reais que exemplificassem suas conseqüências. Por motivos éticos e estéticos, foram apresentados dados fictícios. Mas o evento gerador da inclusão/exclusão digital foi rigorosamente reproduzido, a partir de um fato real. Para manter esta fidelidade ao fato real, dentro da minha experiência pessoal, a maior parte dos exemplos baseia-se em episódios vividos por pessoas deficientes visuais da classe média urbana. Espero que, a partir destes exemplos, não seja difícil para o leitor imaginar episódios semelhantes em outros contextos. Espero também que os exemplos sirvam para demonstrar que a "exclusão digital" é um fenômeno amplo, que não atinge apenas às pessoas geográfica ou cultural ou sócio-economicamente distantes de algum padrão.

Os sete pecados capitais:
I - Desconsiderar a Diversidade do Público Alvo
Robert, um cientista cego, recebeu e-mail de um ministério do seu país. O texto informava que ele era um dos profissionais selecionados para preencher um questionário, com o objetivo de fundamentar estudos prospectivos em ciência e tecnologia. Ele era convidado a acessar uma página da web e preencher o formulário eletrônico correspondente à sua área de atuação. Tentou fazer isso, mas teve dificuldade para navegar na página e preencher o formulário. Mandou então um e-mail para os organizadores da pesquisa, que ficaram muito surpresos, pois não imaginavam que poderia haver uma pessoa cega dentre os profissionais selecionados. Comunicaram-se com os construtores da página, que providenciaram as alterações necessárias. Infelizmente - para Robert e para seu país - a página acessível ficou pronta numa data muito próxima ao prazo final e, devido a compromissos profissionais, Robert não teve tempo de participar da pesquisa. Mas a lição foi aprendida:

O seu público-alvo é mais heterogêneo do que você imagina

II - Desconsiderar os limites e referenciais dos usuários
Na véspera de um feriado prolongado, Laura, uma artista plástica que se recuperava de uma hepatite, pediu à sua mãe que fosse ao caixa eletrônico. Dona Júlia ainda tentou argumentar que "não sabia lidar com essas coisas", mas acabou cedendo, por falta de alternativas: Laura não podia sair de casa, o banco já tinha fechado, elas estavam sozinhas e sem dinheiro. No caixa eletrônico, a fila era grande e as pessoas terrivelmente impacientes. Apesar das instruções detalhadas de Laura, Dona Júlia não conseguia encontrar a opção desejada antes que a tela desaparecesse, obrigando-a a recomeçar várias vezes a operação. O tamanho da fila e as caras feias das pessoas, esperando lá fora, deixavam Dona Júlia ainda mais atrapalhada. Parecia uma missão impossível, "entrar com a senha certa, cheia de números repetidos, naquele teclado sem teclas!" Naquele dia, Dona Júlia saiu do caixa chorando e sem o dinheiro; mas não sossegou enquanto a filha não mudou a conta para outro banco, com equipamentos mais amigáveis. Este episódio ocorreu há 15 anos, mas o ex-banco de Laura ainda não aprendeu a lição:

Respeite os limites, referências, habilidades e valores do usuário

III - Desrespeitar os padrões
Paulo, um analista de suporte, cego, trabalhava para uma grande empresa de processamento de dados. Um dia, Paulo recebeu do seu chefe a incumbência de desenvolver um aplicativo que integrasse dois módulos de um importante sistema da empresa. Cada um dos dois módulos havia sido desenvolvido por equipes diferentes e eram executados em computadores fornecidos por diferentes fabricantes, o que significava dizer que estes computadores não tinham as mesmas características. Paulo conhecia bastante bem um dos computadores, pois todo o seu treinamento fora feito com computadores do mesmo fabricante. Para executar sua missão, Paulo precisava ter um mínimo de conhecimento sobre o outro computador. A primeira coisa que ele fez foi procurar, dentro da empresa, alguma documentação existente sobre o assunto. Para seu desespero, descobriu que a pouca documentação disponível estava toda em papel, o que não atenderia às suas necessidades. Sua segunda tentativa foi procurar na empresa pessoas que tivessem conhecimento sobre o computador em questão. Infelizmente as pessoas que detinham tal conhecimento não puderam ajudá-lo muito, pois estavam todas assoberbadas com o trabalho. Sem muitas esperanças, Paulo resolveu fazer na internet uma pesquisa sobre o computador em questão. Foi então que encontrou nada mais, nada menos, do que um manual que explicava tudo o que ele precisava saber. E para melhorar ainda mais a sua situação, o manual estava todo no formato HTML, que é um padrão usado há algum tempo e passível de ser acessado por pessoas cegas. De posse de tais informações, ficou fácil para Paulo cumprir, no prazo, a tarefa recebida. Além disto, ele nem precisou efetuar conversões na documentação encontrada, pois esta já obedecia um padrão de mercado, que podia ser diretamente acessado por ele. Paulo, no seu trabalho, nunca vai esquecer a lição:

Informe-se sobre padrões e obedeça-os. Isto certamente facilitará o acesso por mais pessoas.

IV - Usar um único meio para acessar as funcionalidades do produto.
O micro que Nina usava no trabalho definitivamente não andava bem. Naquela noite foi a tomada do mouse que resolveu parar de funcionar. E não adiantou sacudir, apertar, nem trocar o mouse. Foi então que Lia, uma analista cega, teve a idéia de ensinar Nina a navegar pelo teclado. No começo, Nina se atrapalhou; mas acabou pegando o jeito: leu as mensagens de e-mail, entrou no editor de texto, conseguiu até acessar o mainframe. Mas não conseguiu usar o dicionário, nem o construtor de páginas web, pois estes softwares não obedeciam o padrão de navegação do Windows, necessitando do uso exclusivo do mouse. Foi desta maneira inusitada que Nina começou a compreender as críticas de Lia em relação à acessibilidade de certos produtos. Nina, certamente, não vai esquecer a lição:

Seja flexível: dificilmente um único meio de acesso poderá ser usado em todas as circunstâncias

V - Usar um único meio para apresentar a informação
Ao voltar da praia, num domingo ensolarado, Inácio Silva encontrou na secretária eletrônica um recado de Zazá. O recado pedia que ligasse imediatamente para ela, pois tinha uma grande novidade. Geralmente era assim, ela deixava recados deste tipo mas, quando ele ligava, a novidade nem sempre era tão nova... Desta vez, porém, havia um tom diferente na sua voz e ele resolveu ligar imediatamente. Sem muitos rodeios, ela foi logo despejando a tal novidade: "Acabo de saber uma coisa sensacional! A companhia telefônica local está disponibilizando um serviço pelo qual você pode enviar e receber mensagens de correio eletrônico. E não é só isto, você pode também ter agenda de compromissos!" Zazá estava tão eufórica que nem percebeu o desinteresse com que Inácio ouvia sua "estupenda novidade". Ele teceu alguns comentários superficiais e despediu-se sem pensar mais no assunto.
No dia seguinte, ao ouvir o noticiário matinal, Inácio deparou-se com uma propaganda, até então desconhecida, anunciando que seria possível enviar e receber mensagens de correio eletrônico via telefone. Lembrou-se imediatamente de Zazá e sua estupenda novidade. Era isso, então, o que ela queria lhe contar e ele ignorou solenemente! Arrependido, resolveu testar o serviço. Entrou na página anunciada, fez o cadastramento exigido e realmente conseguiu enviar e receber mensagens de correio, além de usar a agenda de compromissos, tudo isto sem nenhum problema. Começou, então, a conjecturar que este serviço poderia ser de grande valia para pessoas cegas, principalmente se estas tivessem algum acesso à internet. Porém, olhando mais detalhadamente a página do produto, percebeu que muitas das informações relevantes para o uso do serviço eram apresentadas em forma de gráficos. Na tela de cadastramento de usuários, por exemplo, os títulos dos campos nome, senha, sexo etc., não eram mostrados como um texto, mas como uma imagem. Inácio sabia que os leitores de tela, usados pelos cegos, não têm a habilidade de converter estas imagens para textos, o que impossibilita sua leitura. A solução para este problema seria simplesmente associar à imagem um texto, recurso este disponível no html e muitas vêzes esquecido pelos desenvolvedores de páginas. Não é preciso dizer que Inácio tentou fazer contato com os responsáveis pelo serviço mas foi ignorado. Assim, muitas pessoas cegas ficaram impossibilitadas de usar plenamente o serviço e a companhia telefônica deixou, seguramente, de faturar algum dinheiro, por não saber a lição:

Seja redundante: dificilmente uma única forma de apresentação conseguirá atingir a todos

VI - Nas instruções de um produto, esquecer que o usuário pode não estar familiarizado com o novo universo descortinado pelo produto
Quanto mais a micro-informática evoluía, mais triste ficava Rosa. Agora, tudo era Windows, ou seja, tudo vinha embrulhado numa interface gráfica, que condenava ao museu seu ambiente de trabalho, que tinha montado com tanto empenho, mas que só funcionava em DOS. Claro que existiam ferramentas para Windows, muito mais poderosas do que as suas. Mas Rosa - uma professora cega -, não tinha o tempo nem o apoio necessários para desbravar esse novo mundo. Para começar, precisava de alguém com visão e qualificação para instalar o ambiente. Além disso, era um ciclo vicioso: precisava navegar no Windows para ler o manual e aprender a usar o software leitor de tela, mas precisava do leitor de tela para navegar no Windows, ou seja, precisava do leitor de tela para aprender a usar o leitor de tela e precisava navegar no Windows para aprender a usar o Windows. Durante dois anos, Rosa sofreu em silêncio. Misturado a um sentimento de vergonha e impotência, nutria um ódio mortal à Microsoft, por ter desbaratado seu ambiente de trabalho e estudo. Um belo dia (e para Rosa aquele dia foi realmente belo), um amigo lhe emprestou o tutorial de um leitor de tela, que vinha gravado em fitas cassete. Isto já era um facilitador pois, para ler, Rosa tinha que pilotar o seu velho gravador, em vez do tenebroso Windows. Além disso, o tutorial explicava, junto com o produto, os conceitos básicos do Windows. E foi este simples recurso que ajudou Rosa a superar suas barreiras, reconstruir seu ambiente de trabalho e voltar a sorrir... E é a experiência de Rosa que nos ensina a lição:

Forneça instruções que ajudem o usuário a se situar no universo descortinado pelo seu produto, pois ele pode não estar familiarizado com este universo.

VII - Não ser acessível ao usuário final
José Manuel, um pacato cidadão, cumpria religiosamente, todos os anos, uma enfadonha rotina: entregar sua declaração de imposto de renda. No país em que ele morava, a declaração era entregue obrigatoriamente em papel e, para fazê-la, José Manuel sempre tinha que pedir ajuda aos amigos, pois era cego. Isto não era um grande problema, apesar de Manuel ter de mostrar a outros o seu histórico financeiro, o que lhe causava algum constrangimento. Um belo dia, José Manuel ouviu a notícia de que a declaração do imposto de renda poderia ser feita através do seu computador. Ele não perdeu tempo; tratou de instalar imediatamente na sua máquina o programa que resolveria parte dos seus problemas. Eufórico, José começou imediatamente a fazer testes com o programa. Foi então que constatou que a interface do aplicativo era, em grande parte, incompatível com o seu leitor de telas. Após algumas tentativas frustradas, Manuel resolveu entrar em contato com os responsáveis pelo aplicativo. Para seu espanto, verificou que não seria possível tal contato, visto que, tanto no aplicativo quanto na página onde o download do mesmo fora feito, não havia informação de telefone nem e-mail. José Manuel continua, até hoje, entregando sua declaração, como manda a lei. Porém continua, também, dependendo da ajuda dos amigos. O aplicativo que ele, com seu imposto, ajudou a financiar não lhe permite o acesso, porque os construtores do mesmo não aprenderam a lição:

Mantenha um canal facilmente acessível para receber dúvidas, sugestões e críticas do usuário final

imaster

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Jovens explicam para que serve o Twitter

Quando o americano Jack Dorsey teve a ideia de criar o Twitter, seu objetivo era tão simples quanto sugere a questão "o que você está fazendo agora?".

A pergunta que ele queria fazer a seus amigos está até hoje no alto da página principal do site (twitter.com), para ser respondida pelos usuários em textos de até 140 caracteres. Mas dois anos, oito meses e milhões de usuários depois, as pessoas usam esses pequenos textos para muito mais do que falar da sua vida.

"Eu já usei o Twitter para prever o tempo", diz Vinícius Alves, 22, conhecido no site como @v_fox (a arroba é usada antes do "nick" para identificar os usuários). Estudante de administração, ele saía para a aula quando uma amiga que mora ao lado do campus, do outro lado da cidade, escreveu no Twitter: "Começou a chover".

Apesar do Sol, saiu de guarda-chuva. E não deu outra. "Cheguei lá e estava chovendo mesmo", diz. Fugir da chuva só foi possível graças a uma das principais características do Twitter: o imediatismo. É dessa comunicação em tempo real que depende também o que, provavelmente, é a principal utilidade do serviço.

"Ele é perfeito para quem gosta de saber tudo que acontece na mesma hora", diz Tessalia de Castro, 22, a @twittess, mulher mais popular do Twitter no Brasil.

Tudo agora

De fato, o primeiro grande momento do Twitter na mídia foi quando um avião caiu no rio Hudson, em Nova York. Um usuário que estava passando mandou de seu celular: "Tem um avião no Hudson". Nos primeiros minutos após o acidente, só sabia da notícia quem o seguia no Twitter.

A maior parte do que se escreve no Twitter, porém, não tem nada de emocionante. "Escrevo no meu Twitter como se fosse um diário. Sinceramente, acho ele meio inútil para quem me segue", diz Laís Ferreira, 16, a @singledout, que vê uma utilidade muita clara em estar lá.

"A maioria das bandas hoje em dia tem Twitter, então é legal para saber mais da vida delas", diz a estudante, que segue o The Used e o My Chemical Romance, entre outros artistas.

"O que leio no Twitter acaba virando assunto quando converso com meus amigos sobre as bandas", diz singledout, que mora no Rio e conheceu v_fox (que é de Vitória) por gostar das mesmas bandas.

Pois é, como em qualquer comunidade virtual --coisa que o Twitter também é-- distância geográfica é um pequeno detalhe. "Você faz contatos por afinidades", diz @twittess.

Mas até para conhecer pessoas no mundo real o Twitter funciona. "Combino com os amigos pelo Twitter e vou a um bar. Às vezes, vem gente que nem conhecemos. Quando percebemos, já tem gente nova na roda", diz @v_fox.

Como você nem sempre conhece quem o está seguindo, vale tomar cuidados, como fez a designer de internet Cris Rocha (@mjcoffeeholick), 30, que bloqueou seu perfil para evitar a bisbilhotice do chefe. Isso na época em que tinha emprego, porque, no ano passado, ela entrou no Twitter e passou a colocar links dos sites que criava. "Começaram a aparecer tantas propostas de trabalho que, ou continuava na empresa, ou ia trabalhar como free-lancer", diz. Acabou valendo a segunda opção.

Diga-me quem segues...

Para sua vida no Twitter servir para alguma coisa, é preciso saber escolher quem seguir. "No Orkut, a gente é amigo de quem é nosso amigo. No Twitter, uma pessoa pode te seguir sem que você a siga, e vice-versa", explica Raquel Camargo (@raquelcamargo), 22, blogueira do Twitter Brasil e gerente de social media numa empresa de comunicação.

"Se você acha que a pessoa não traz coisas interessantes, é só não segui-la. E tem mesmo muita gente que usa o Twitter como divã", diz.

Para ela, muitos não acham graça, no começo, porque têm a sensação de que estão falando sozinhos. Isso muda quando começam a seguir e a serem seguidos por pessoas que "twittam" sobre assuntos de que gostam. "Aí tudo começa a fazer sentido. Precisa de um tempinho para pegar o ritmo", diz.

Cuidado: pode viciar

E é aí que mora o perigo. Como a mensagem é curta, as pessoas podem "twittar" qualquer coisa que venha à cabeça. E o ritmo fica insano. "Realmente, acho que toma mais tempo da minha vida do que deveria", diz @twittess, que chega a "twittar" 30 vezes por dia, às vezes.

"Estou viciado. Vejo algo interessante na rua e já vou logo pegando o celular para twittar", diz @vfox.

O curioso é que o "interessante" pode ser tão variado quanto o gosto dos mais de 250 mil usuários brasileiros do serviço. E é por isso que a pergunta "para que serve o Twitter?" tem tantas respostas. "O Twitter em si não tem um propósito. Cada um dá o seu propósito a ele", diz @vfox. Então, tente descobrir o seu. E aprecie com moderação.

Folha de S.Paulo